
...Panis et circenses!
Bom, foi ontem a escolha do Brasil como sede da copa do mundo de futebol de 2014, e aqui começarmos nossa ácida e mordaz resenha, lembrando a frase do ilustre Presidente Lula, onde ele disse que “faremos uma copa para nenhum argentino botar defeito”. Uma tirada muito bem-humorada, mas que tem de ser vista com ressalvas já que foi proferida por quem costuma mudar de opinião de acordo com as conveniências.
Para talvez 98,9% da população esta será uma data histórica, onde a espera se processará nos dedos, tomara que para os mandatários as problemáticas que assolam o país também o sejam.
É claro que o Brasil poderia organizar e sediar um evento deste porte. Poderia, mas não deveria; o que se seguira agora esta longe de ser uma incógnita, será a farra da corrupção, como se viu no tão propalado Pan-americano 2007 (dos 500 milhões iniciais para 3,9 bi em gastos ainda não muito bem explicados), claro que foi bom ver nossos atletas ganharem medalhas, porém mais importante que medalhas são investimento em educação, em segurança, no sistema de saúde, no combate a corrupção em todos os seus níveis. Estes são problemas urgentes que tem de ser debelados, mas sempre que a coisa aperta o “brasileiro” (ainda, mas agora onde o plano de perpetuação no poder esta cada vez mais em voga) encontra uma saída, e a bola da vez 'é' uma copa. E porque não? Os olhares dos brasileiros desviam-se por qualquer coisa, carnaval, ‘Pan’, copa do mundo de futebol; e copa do mundo de futebol no Brasil então... Estou sendo repetitivo e ranzinza, todavia é inevitável, alguém tem que ser. O Brasil com certeza é o país que mais contribuiu com o futebol, sem sombras de duvida, mas o que é inadmissível é ver as condições de despreparo, desordem, descalabro e miséria que se encontram mais da metade da população; onde os eleitos para tentar diminuir todas essas mazelas pouco se lixam e visam apenas seus projetos pessoais.
O espetáculo de ‘gastança’, superfaturamento, obras faraônicas (e até fantasmas) e ufanismo alentador já tomam conta da imprensa, que alardeou aos quatro cantos, usurpando a consciente dos espectadores.
O caderno de encargos do Brasil não deu uma única constatação se quer, pauto-se apenas em propostas (por isso a imprensa Britânica criticou a escolha, e não por inveja como foi divulgado por aqui). E a delegação? era realmente necessário Paulo Coelho? Com aquelas comparações estapafúrdias de que o prazer de vencer no futebol é igual ao prazer erótico.
Não consigo ver todas essas benesses que virão como a imprensa propagandeia ai a fora, também com a total certeza é esse o seguimento que mais irá lucrar com este evento, emissoras de TV e os seguimentos do turismo e quem prestar serviço ao governo, lecupletando-se à custa do dinheiro público. Com todo o aparato de segurança que ficará após o evento é pouco, é mínimo para a população que continuará a habitar o mesmo país, os mesmos estados e cidades após o evento; não acredito que porque pessoas de outros países virão jogar futebol por aqui e assistir as partidas, pessoas ficarão mais inteligentes e os pobres ficarão na escola e aprenderão mais no ensino público que na rede privada.
Nosso esporte (primazia eterna do futebol) preencher o vácuo de nacionalismo que já não existe mais na sociedade. Patriotismo hoje é cantar o hino nacional quando a seleção entra em campo e torcer pelo bem da seleção. Quanto ao verdadeiro patriotismo, bem, esse já não existe mais há muito tempo, temos uma sangria ufanista que torce, exacerba, esbraveja, em dados momentos (vide copa, Pan,e quando a mídia conclama, ao seu bel prazer, claro!).
Malgrado tudo isso e muito embora meu total descrédito com as benesses acerca do assunto, mesmo com todo o investimento em infra-estrutura, a complexa operação de logística que o aporte demanda, mesmo com os empregos que o efeito cascata criara, e o show que se seguira nos jogos(e os gastos assustadores, e os desvios advindo de tal) acho que o país pagara um preço muito caro em lugar de fazer o verdadeiro dever de casa. Vejo ainda, com essa habitual arrogância de se achar certo e a chatice encrostada no encéfalo uma certeza; a de que continuaremos a sofrer antes, durante e depois do espetáculo, de tudo isso e muito mais (toda via um pouco mais roubados, não obstante mais alegres a depender dos resultados no campo), em todas as áreas, inclusive moral. Contudo não esqueçamos que o povo "não quer só comida..." e o povo não é besta e nem se engana mais (quem disse que não?) e com isso e toda essa sanha acerca do assunto, que chega a ser pedante; vamos à copa! Com toda festa e a alegria habitual do brasileiro (grhhhh!!!). Vejamos quem sairá ganhando como tudo isso.
Quem adivinha?